Postada em 27/02/2010
Se você é adulto, provavelmente se sente mais orgulhoso do que ansioso ao ser chamado de “nerd da informática”. Para crianças, entretanto, ser taxado de nerd ou geek – termos muito similares – é aterrador. Um estudo de David Anderegg, psicólogo clínico, confirma que esses jovens fazem o possível para não serem rotulados com tais termos. Para o pesquisador, aliás, esse tipo de comportamento pode levar esses indivíduos a perderem qualquer interesse por ciência e matemática, por exemplo.
Anderegg afirma que como psicólogo infantil, um dos problemas com os quais ele mais se depara é quanto à questão de rendimento acadêmico insatisfatório, principalmente por aqueles que tentam fugir do estereótipo de estudioso. As crianças sentem que ser taxado de estudioso (ou seja, nerd ou geek) é algo negativo e que leva a níveis de ansiedade extremos. E com o tempo, demonstrar aversão aos estudos é uma forma de não ser mais isolado entre os colegas.
Esse tipo de comportamento ocorre, normalmente, por volta do último ano do segundo grau (8ª série), quando essas crianças começam a ter poder de decisão sobre como se comportar diante das atividades acadêmicas. É nessa época que o comportamento de alunos mais velhos e adultos influi diretamente em como eles se sentem sobre o estudo E normalmente a entonação negativa quando as pessoas se dirigem a eles como nerds é que se torna determinante para que o termo seja uma expressão pejorativa. O comportamento mais comprometido com o estudo acaba sendo associado ao termo. Mesmo pais de alunos que defendem seus filhos, afirmando que eles não são nerds, pois fazem outras coisas além de estudar, é algo que pesa.
Para Anderegg, diversas pesquisas focam a questão da exposição dos jovens e adolescentes à mídia, mas normalmente enfatizam a negatividade de cenas de violência e sexo. Mas a questão relativa aos estereótipos intelectuais também é bastante prejudicial para essa população.
O pesquisador afirma que ajudar esses jovens, e mesmo os pais e professores, a desconstruir a visão estereotipada sobre pessoas que focam o estudo seria útil em longo prazo, pois esses indivíduos poderiam se sentir mais confortáveis para escolher profissões com as quais se dariam melhor e investir no desenvolvimento de seus potenciais – como matemática ou leitura, por exemplo –, mesmo antes de pensar em fazer faculdade.
Fonte: Uol